sábado, 6 de dezembro de 2008

Educar é Repetir?


Quem me conhece de convivência diária sabe que eu adoro contar casos. "Causos" como diria minha amiga Maria. Quando os meninos aqui de casa eram pequenos contava as histórias de nosso dia a dia e tinha gente que achava que eu tava inventando pois não se aguentavam de rir com o que ouviam. E ficavam achando que minha vida era mais divertida do que a delas porque não conseguiam reproduzir suas cenas tão similares com aquele finalzinho de piada e graça que eu botava nas minhas. Questão de estilo, nada mais. E o olhar, que efetivamente precisa buscar o divertimento, é certo! Colegas de trabalho eram fãs: "Tem alguma nova dos meninos hoje?", muitos me pediam, buscando distração na hora do cafezinho com cigarro (antes da invenção do fumódromo nas repartições, claro).

Com a chegada da aborrecência aqui em casa, o olhar bem humorado também foi ficando um pouco embaçado. Passei o ano todo com a vitrola engasgada: -Fizeram os deveres? Já estudaram? Olha as provas! Acoooooooordem!!!

Agora com o final do imenso ano letivo (Dr. Darcy, 200 dias de aulas é de campar..., não tem mãe que guente!) tô pronta prá relaxar, seja o que Deus quiser. E Ele quis diminuir minha neura pela metade passando Pedro direto prás férias de verão e deixando Rafael em recuperação de 5 matérias. Prefiro sempre as notícias más primeiro, por isso já sabia desde a semana passada do insucesso da criatura. Um dia de cagação de regra no penico/ouvido do primogênito, que protege o orgão abalado com fones de ipod: "Você brincou o ano inteiro, não quer nada com a hora do Brasil (?!) Vai puxar carroça!" e toda sorte de frases absorvidas ao longo de 10 anos de mocidade estudantil - à sombra do estandarte de Maria - como dizia o hino do Marista, onde estudei.
Peu me liga todo feliz na quarta-feira (Eparrei, minha mãe Iansã): - Mãe, se ligue (é isso mesmo, ele só fala assim) fui prá 7ª. Tão contente fiquei que apesar de uma horinha minúscula de almoço fui em casa fazer festa prá ele. Confesso que era uma estratégia de mãe, sabia que Rafa estava na escola em curso de recuperação e que lá passaria o dia porque foram 5, não esqueçam. Beijei, abracei, mostrei todo meu contentamento e ao final entrei num combinado, não tocaríamos mais no assunto para não "botar pressão" em Rafa, pois o mesmo precisava de estímulo para se dar bem nas provas. Peu todo solidariedade, concordou, compreendeu e achou bom e justo. À noite, nenhum comentário e mesmo quando Rafa encontrou o boletim de Pedro sobre a mesa, fiz posse de naturalidade: - Estude que no fim do mês é o seu.

Hoje, após dois dias de harmonia e tranquilidade, Pedro dá o bote. Passa da meia-noite e os dois imundos vendo tv. Erro tático, bato os olhos primeiro nele. - Você ainda não tomou banho? -Tô de férias, responde o moleque com aquela cara de quem tava esperando a deixa. - Qué quisso tem a ver, Peu, vai ficar até fevereiro sem banho?

-Não, mas Rafa tá na recuperação de 5 e também não tomou. Eu passei direto, quem tem mais direito, ele ou eu?

Pronto, começou o bate-boca, cachorro latindo e eu volto pras frases que nunca me deixaram:
"Parem com isso, olha os vizinhos! Nesta casa não se tem noção de hora? Parecem que nasceram em casa de esquina "(?!)...
*Peu e Rafa, em suas primeiras fotinhas escolares!

2 comentários:

maria guimarães sampaio disse...

Fernadinha, a Maria que diz "causos" não sou eu... falo como você CASOS. Até brinco: não conto causos nem frequento eventos. Beijins

Licia Valente disse...

Ah...seua casos são demais. me irmano na maternidade adolescente e na repetição do verbo!

Bjs

PS. ps meninos tão lindos nas fotos