quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Continental sem Filtro

Lendo hoje o blog de meu primo Cabaret - herói de minha infância nas lendas de MOC City (Montes Claros, norte de Minas) - sobre avanços científicos no combate ao cancer de pulmão, lembrei-me de uma cena ótima que assisti meu pai - apelidado de Mangangão por este primo-irmão de fino humor, protagonizar.
Meu pai, também Cometa ou Lizer para os íntimos, gabava-se politicamente incorreto de fumar desde os 11 anos. Era puro cigarro, no dizer de minha mãe, que reconhecia ser dele o travesseiro 50 cm antes de deitar distraidamente a cabeça no dito cujo, mesmo que do mesmo tamanho e forma e vestido de semelhante fronha.
Contava todo prosa que aos 30 e poucos anos, tendo tentado fazer um seguro de vida que protegesse os filhos e a mulher de uma sua possível falta, fora rejeitado pelo médico perito, por causa do histórico desabonador. "O Senhor vai antes de mim sem ter colocado um cigarro na boca", vaticinou. E não é que 3 meses depois viu no Jornal A Tarde a notícia do passamento do médico? "Fiz questão de ir no enterro, para honrar minha palavra!".
Pois aos 80 e poucos, entre um cafezinho e um cigarrinho que entremeavam seu sono em frente à televisão, após longo e cansativo dia de labor, escuta no Jornal Nacional a notícia que cientistas americanos (sempre eles!) haviam descoberto que fumantes possuidores de um tal cromossomo de cujo número esqueci NUNCA desenvolveriam câncer de pulmão. Só ouvi o grito vindo da sala: "Ah, eu tenho esse! Batata!"

3 comentários:

maria guimarães sampaio disse...

Estou com seu pai e não abro. Não sei, nunca compreendi porque larguei de fumar. Continental sem filtro, foi o melhor!

Anônimo disse...

fuma como um bueiro!!!!!!!
saudade de você... e ainda mais fã dessa mulher que me surpreende até sendo blogueira...
beijocas
claudinha ventura

Licia Valente disse...

Tomara que os anos de convivência com a sua família tenham me passado esse gene salvador.

Bjs