sábado, 4 de julho de 2009

A Bahia ainda é assim...

Após dois anos de ausência fui quinta feira ver os festejos do 2 de Julho. Várias motivações para o retorno, a primeira delas a fúria que fiquei ao ver na programação da festa o show Axé de Claudia Leite no Farol da Barra. Ah, fiquei indignada! Justo o governo da "esquerda", aquele que ajudou a manter viva a tradição do 2 de julho, aproveitando-se, claro, do espaço democrático (mais ou menos pois tomou muita porrada da polícia de ACM e Cia para manter-se lá trás da fila, bem longe dos Caboclos e das Filarmônicas) para gritar palavras de ordem e desordem - mas de qualquer forma levando os ditos "formadores de opinião" a conviver com as delícias e a criatividade do povo de nossa terra.

Foi assim que quedei-me apaixonada por aquela festa cívica, tão louca quanto o carnaval, repleta de religiosidade - e quanto bem faz-me à alma ver aquele homem simples, paramentado de azul, vermelho e branco, fazendo o sinal da Cruz na passagem do carro da Cabocla! - quem, meu Deus, havera de entender tanta Maria Quitéria, Soror Joana Angélica e Castro Alves subindo e descendo ladeira lado a lado com Charles Chaplin, Michael Jackson e os Pelés - do trânsito e do tonél.

E quando a gente entra num momento de extase e quer que TODO MUNDO vá ao 2 de julho e deslumbre-se com toda aquela loucura, que nos diferencia e nos destaca, ELES inventam uma programação paralela para que o povão abandone as praças e vielas do trajeto Lapinha-Sé, e aglomere-se no altar do Axé para cantar em uníssono: "Eu quero mais é beijar na boca". Pronto! Ficou instituido o 2 de Julho Light, descendente direto do Bonfim Light e do Yemanjá Idem.

Outa motivação foi meus filhos, que conheceram a festa quando ainda eram bem pequenos, terem aceitado me acompanhar (ambos na recuperação, sem moral nenhuma para recusar meu convite). E que bom vivenciar o que meus filhos chamam de "herança cultural" - mico que os pais fazem os filhos pagarem ao submetê-los a um programa muito importante em suas infâncias (lá nossas, dos pais). Nem ligo, no fundo adoram e assim fica garantida a perpetuação da espécie.

A terceira motivação foi o insistente convite da classe artística a comparecer para gritar palavras de ordem e desordem com relação à situação da Cultura em nossa cidade. Não cheguei a tempo de ver o fusuê armado (seria demais esperar que os meninos acordassem e estivessem prontos a sair de casa às 9!) , mas de saber, ao vivo e a cores, que o mitiê abalou o cortejo.

Mas o melhor do 2 de julho deste ano foi perceber que a Bahia ainda é assim... uma província onde todo mundo que se conhece se encontra, qual nos meus tempos de adolescência. E foi a gente chegando no Largo do Pelô e encontrando amigos, vizinhos de outros tempos, colegas de trabalho atual e passados, familiares distantes e comadrinhagem etílica.

Numa pausa do sol de rachar (de fato brilhou mais que no 1º) entramos na Fundação Casa de Jorge Amado e olha lá, que prazer, que felicidade, minha amiga Maria Sampaio tomando uma fresca e relaxando a máquina de tirar retrato na mesinha do Café de D. Zélia (que estaria completando anos naquele dia, tão baiana Zélia Gattai), com as meninas: Beth Capinam, D. Clara Veloso e Aninha Franco.

Saí de lá a tempo de vaiar a passagem de Geddel ao lado de Valda Abud, companheira das manhãs de luta no Projeto Axé, e subir a ladeira rumo ao Terreiro de Yesus, entre uma bandinha tocando o Já Podeis e uma fanfarra tocando Taí, junto com minhas amigas Vera e Margareth Leonelli, Rita Lagrota e Jurandir Vilela.

Ficamos assistindo uma banda de escola que executava uma homenagem póstuma ao incrível Jacko e encontrando amigos queridos e possíveis clientes com bom prognóstico para fechar ótimos negócios chegamos até os pés dos Caboclos que pararam para descansar na Praça Municipal. Ali, olhos prostados nos símbolos máximos de nossa heróica e gloriosa data, como se nunca antes os tivéssemos visto.

Andamos tudo de volta, não sem antes tomarmos um sorvete na Cubana e admirarmos a bela vista da balaustrada do Elevador Lacerda!

Lá vinha ACM Neto, numa muquequinha de anturragem, agora é ele no fim da fila! É a VOLTA DA CABOCLA! Saravá, Cruz Credo! Ali o encontro de mais amigos: Antrifo e Bassan.
Ô Bahia que as ruas são estreitas e o coração largo...


todas as fotos do google imagens!






8 comentários:

maria guimarães sampaio disse...

Fernadinha, Fernanda, Fernandona! Putaquepariu que blog retado de bom!
Beijos e beijos

maria guimarães sampaio disse...

PS. botei uma chamada lá no meu pro pessoal vir cá.
Quando quiser fotos que eu tenha, peça, mando por zémeio para seu post.

Maria Muadiê disse...

Vim por indicação de Maria e adorei a resenha do 2 de julho, a melhor que li. Ano que vem quero vencer a preguiça!

Janaina Amado disse...

Olá, vim de Maria Sampaio: lindíssima a sua principal, ótimo texto, me senti na festa. Parabéns!

Edu O. disse...

por intermédio de Maria Sampaio vim aqui ver o 2 de Julho através de teus olhos. Adorei!!!

dino disse...

Nanda,

Que beleza de considerações! Fiquei orgulhoso e feliz.Parabéns!
Em frente!
Beijos e mais beijos.

Rita disse...

Muito bom Nanda,concordo plenamente com as suas considerações!
Estarei frequentando sempre. Parabéns!!!!!

Anônimo disse...

esse negócio de 2 de julho e orgulho baiano tá por fora. coisa provinciana da zorra